Nesse último final de semana recebi mais dois hóspedes devido ao Couch Surfing. Dois rapazes da Alemanha amigos de uma garota que já havia me hospedado (e visitado também) antes.
Sábado, véspera de dia dos pais, foi dificil encontrar companhia para a noite paulistana. O que melhor então que aproveitar para ir numa festa que nunca havia ido? Se eles não gostassem, não reclamariam (muito) depois.
Festa num prédio velho do centro, bem próximo à Praça da República, um lugar não muito seguro para se andar durante a noite, mas não tivemos problemas, e pudemos aproveitar a beleza sépia do centro da cidade sem nos preocupar.
A festa foi boa, melhor do que imaginei e acho que bem diferente do que imaginava também, algumas coisas estranhas aconteceram mas não é esse o tema de hoje.
Na volta para casa, lá pelas seis e pouco da manhã, pegamos o ônibus no terminal do metrô para ir embora. Sentamos no último banco, um em cada ponta e eu no meio, no banco dos bobos. Eis que surge uma garota, rosto bonito, não tão acima do peso, e provavelmente jovem demais para estar voltando para casa naquele horário.
- Posso sentar aí?
Ela apontou no espaço entre eu e um dos alemães, que estava com as pernas em cima do banco o ocupando. Empurrei a perna dele para o lado, que quase caindo de sono não entendeu nada, e ela se sentou. Pouco tempo depois ela perguntou:
- Vocês são punks?
- Não. Por que?
- Nada.
- Parece?
- É, um pouco.
(nota: nós três vestíamos camiseta preta, e isso era o mais perto que chegávamos de sermos “punks”)
O alemão que estava ao lado dela me fez alguma pergunta e começamos a conversar, em inglês, com a garota entre nós. Ela olhou pra mim e disse:
- Vocês não são daqui?
- Eu sou
- Ah, então estão falando em inglês só pra me zuar?
- Hahahaha, não. Eu sou daqui, eles não.
Seus olhos abriram de tal forma que pensei que fossem sair das órbitas
- SÉRIO?
- É ué!
- Nossa! Que legal! Eles são de onde?
- Da Alemanha!
E toda sorridente e sem parar de sorrir, começou a mexer no celular. Os dois alemães, curiosos, pediram que eu explicasse o que havia acontecido. Ela me mostrou o celular dizendo:
- Falei pra minha amiga que tinha dois alemães comigo no ônibus, olha o que ela respondeu:
“kkkkkk serio amiga? nossa fica amiga deles e ve se rola um skema”
Traduzi para eles e rimos tdos juntos.
- Vocês estão voltando de qual balada? – ela perguntou
- Ah, uma festa doida no centro. E você?
- Dum baile funk. Em Itaquera.
Fiz cara de “bela merda” e ela continuou:
- Acho que você não gosta de funk né?
- Não.
- Hum… Posso te contar como foi meu dia?
E então ela contou sobre o show funk, como havia feito para ir ao camarim e tirar fotos com os “artistas”, o quanto havia bebido, que havia dirigido o carro do amigo, e que só tinha 16 anos.
- E agora pra deixar meu dia ainda mais perfeito – ela continuou – tem dois gringos no ônibus comigo! Nossa, tô tão feliz!
Ela pediu e expliquei como os conhecia e que eles estavam em Sâo Paulo apenas de passagem, ela, aproveitando a deixa da “internet” perguntou:
- Você tem Facebook?
- Tenho sim.
- Posso te adicionar?
- Não!
Ela riu, e continuou:
- Não, tô falando sério.
- Eu também. Não vou te adicionar.
A alegria deu uma ligeira diminuída, mas ela ainda sorria. De repente ela olha para mim novamente, com um sorriso igual ao do Coriga estampado no rosto e sem conseguir falar de tanta emoção, chacoalhando as mãos. Percebi que o alemão estava dormindo e sua cabeça estava sobre o ombro da garota, uma situação bem típica quando dormimos num ônibus. O alemão provavelmente não estava tão próximo dela quanto ela gostaria, mas ela sabia que era o máximo que conseguiria ter.
Ele acordou e ela começou a rir. Ele olhou pra mim e disse:
- Why are you laughing? What happened?
- Nothing dude, but you just made her day!
Tags: alemanha, ônibus, baile funk, estrageiros, estranhos, facebook, gringos
19/08/2011 às 22:35 |
:D
19/08/2011 às 23:28 |
Sua sinceridade me inspira, amigo. Sem sarcasmo.
20/08/2011 às 0:01 |
Ah maluco vai chupa um canavial de caralhas vai!
11/11/2011 às 11:51 |
HEuaheAUEHAUeh genial!