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A prova de que a insurreição chega antes de 2012

14/11/2009

E então rolou aquele apagão nacional, todo mundo já sabe, blá blá blá.

Que dia foi mesmo? Dez de novembro, né? Já tinha passado o Halloween, pelas minhas contas. (Ou o calendário tá todo errado, vai saber).

Era o aniversário da minha irmã. Algumas amigas dela vieram em casa comer pizza. Fizeram questão de acabar com a única pizza vegetariana que tinha, apesar que eu sou a única vegetariana da casa. Puro estresse. Mandei todo mundo tomar no cu, tenho intimidade suficiente. Fora isso, tudo nos conformes.

Dez e tanto da noite. Festa: já era. Limpeza da casa: já era também. Banho: tomado. Hora de enrolar no emi-ésse-ene e tentar vencer a insônia.

PUFF!

Lá se vai a força.

Tudo bem, no break funcionando, tudo certo.

Fui à janela: não se via luz em lugar algum. Tentei ligar pra algumas pessoas e nada.

Os vizinhos saíram de suas casas e começaram a fofocar e criar teorias sobre o que poderia ter acontecido. Nenhum de nós sabia ainda da dimensão do fato.

Um grito… correria. Barulhos estranhos, um tiro talvez. Todos de volta às suas casas, conforto e a sensação de segurança.

Silêncio novamente.

Peguei meu celular pra tentar registrar alguma coisa. Num primeiro momento, nada. Alguns minutos depois mais correria. Uma mulher urrava de dor e ao longe ouvia-se “Miooooolos”.

A insurreição começou. Prepare seu guia de sobreviência.

Os culpados pelo apagão? Zumbis, óbvio.

Guerra de Anões (nem tanto…)

03/09/2009

Uns dias atrás, passeando pela praça João Mendes, me deparei com uma roda de pessoas se acotovelando perto do ponto de ônibus.

Nada demais, não exatamente uma roda: nem tinha tanta gente assim. Mas as palavras que saiam de lá deixavam qualquer um curioso:

“Separa esses dois aí, poxa!”

“Gente, vamo pará com isso!”

“Que nada, tá legal pra caralho!”

“Pega ele! É!”

Um burburinho qualquer…eles nem faziam muito barulho, mas de um número suficiente pra chamar a atenção de quem passava por ali. Tinha um espaço bem grande na rodinha e de onde eu estava (relativamente longe, diga-se de passagem) consegui dar uma olhada no motivo da comoção: Dois anões brigando.

Sim, anões. Sim, briga…tapas, socos, xingamentos. Tudo do bom e do melhor.

Não acreditei nos meus olhos. Isso vai soar muito maldoso, mas…CARA! ANÕES! Você já viu algum anão fazer qualquer coisa tão legal assim que não fosse num filme!? Porra! Tive que parar pra assistir.

A briga dos dois era pura arte em miniatura: um deles tinha os braços realmente curtos e precisava virar um tantinho pra poder acertar o outro infeliz. Sensacional. Eles gritavam sobre uma mulher…

“Não acredito que você comeu ela, seu babaca, filho duma puta, maldito!” “Ninguém mandou pegar vagabunda! É, isso aí! VA-GA-BUN-DA! Seu troxa de merda!”

E por aí vai. Eu não sou tão boa nisso quanto eles, mas o intuito era o mesmo. Não fiquei pra assistir o final. Em algum momento um guarda apareceu e começou a dispersar a briga, mas eu já estava longe.

É com orgulho que eu digo que posso riscar um item da minha lista de objetivos bestas na vida:

- Plantar uma árvore

- Escrever um livro

- Assistir uma briga de anões

- Assistir um enterro de anão

- Dar a volta ao mundo…

Assim caminha a humanidade.

Sophia

21/08/2009

Um dia desses levei minha filha ao parque. Estávamos sentadas num banco, esperando os patos terem a boa vontade de se aproximar. A idéia era dar pedaços de pão pra eles, mas não tenho muita certeza se patos realmente curtem pães.

Ela estava ansiosa, quase irritada. Foi então que percebeu um grupo de patos do outro lado do lago voar em direção ao horizonte. O diálogo foi mais ou menos assim:

- Manhê, pra onde é que vão todos os patinhos quando eles não ficam no lago? Eles vão embora pra sempre?

- É…Não exatamente “pra sempre”, Sophia. Os patos fazem uma coisa chamada migrar. Você já aprendeu sobre isso?

Ela balança a cabeça negativamente.

- Bem, nem sempre os patos tem comida de sobra. De vez em quando a comida falta ou fica muito frio pra eles. Então eles se reunem e voam pra algum outro lugar que esteja mais quente ou tenha mais comida. Um lugar melhor, entende?

- Então, é como ir pra casa da vovó? Ou quando a gente sai pra brincar?

- Ah. A gente faz isso pra se divertir, So. Aposto que os patos também gostam do que fazem mas eles tem que fazer isso. Eles precisam.

- Os patos são que nem a gente, né? Você sempre diz que tem gente que vai pra um lugar melhor… é porque elas precisam, né?

- Hmm. Mais ou menos isso, sim.

- Mas aqui é a casa dos patos! Quer dizer que depois eles voltam?

- Quando fica quente e cheio de comida de novo, eles voltam sim. Quando fica tudo bem eles voltam.

- E as pessoas que vão pra um lugar melhor, mãe? Elas voltam quando tudo fica bem?

Eu não sabia mais o que dizer.